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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Brasil será representado no Salão do Livro da Suíça




Varal do Brasil estará presente no 29º Salão do Livro e da Imprensa de Genebra (Suíça), que acontece de 29 de abril a 3 de maio, no Palexpo, em Genebra. Já estão confirmados Marcelino Freire, Ronaldo Correia de Brito e Cintia Moscovich.

O autêntico encontro entre editores, autores, promotores, distribuidores, mídias e outros atores do mundo literário e da cultura. Sua acessibilidade traz, a cada ano, a magia deste acontecimento contando com aproximadamente mais de 100.000 visitantes (mais de 20% da população da cidade de Genebra).

Convivial e festivo, o Salão do Livro de Genebra é um local onde visitantes de todas as idades e profissionais se encontram durante cinco dias para compartilhar e trocar ideias em torno de uma mesma paixão: a cultura através da leitura e da escuta de debates apaixonados, sem esquecer os encontros com mais de 500 autores presentes. Visitantes de toda a Europa afluem para o Salão do Livro de Genebra!

O Varal do Brasil estará presente com um stand de cinquenta metros quadrados onde terá o prazer de apresentar a literatura brasileira e de língua portuguesa em geral, com os autores conquistando uma janela de visibilidade muito expressiva num dos mais renomados eventos literários da Europa.

Esta iniciativa, que conta já com vários autores confirmados, se fará num sistema de participação cooperativa. Infelizmente as vagas para as sessões de autógrafos e para exposição de livros no Salão serão limitadas.

Assim, selecionaremos os autores que desejarem participar deste sistema cooperativo. (A administração do Varal do Brasil se reserva o direito de recusar qualquer candidatura que não considere conveniente).

- Não é necessária a presença do autor para que seu livro esteja no Salão. O que é necessário é termos o livro do autor (Solicite através de nosso e-mail o regulamento para participação);

- A língua em que está escrito o livro não é o mais importante. O livro poderá estar em Português, Inglês, Francês, Espanhol, Italiano ou outra língua, ou mesmo ser bilíngue, em braile e etc..

Veja fotos de nossa participação nos anos anteriores em:

Esperamos contar com você, escritor (a)! Esperamos ter seu livro em nosso stand!
Para toda e qualquer informação escrever ao VARAL DO BRASIL por e-mail:
varaldobrasil@gmail.com


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Valdeck Almeida de Jesus lança poemas ao vento




Poesias ao Vento: Vinte poemas de amor e uma crônica desesperada, em português e espanhol, é a nova obra literária do poeta jequieense Valdeck Almeida de Jesus, que publica pela Galinha Pulando Editora. Nascido de uma visão ou um sonho, como resume o autor, a antologia de vinte textos curtos e de uma crônica, foi traduzida pela venezuelana Gladys Mendía e revisada pelo seu conterrâneo Julio César Bustos, e traz ilustrações e capa do artista plástico e grafiteiro baiano Zezé Olukemi.

“Eu me lembro de uma pessoa caminhando na Rua General Labatut, indo para o ensaio da peça Filhos do Kaos, de Fábio Viana”, relata Valdeck. Para ele, esta imagem não é real, pois esse encontro nunca aconteceu. Mas a partir daí surgiu uma amizade pela internet com a pessoa em questão, que se mantém por mais oito anos, inclusive com ligações telefônicas e viagens pela fantasia. Após colecionar centenas de páginas de conversas através de redes sociais, surgiu a vontade de transformar tudo em poemas e publicar, para concretizar um sentimento que dominava e era muito mais que real. O processo durou dois anos de escrita, reescrita, faz e refaz até a versão final. Depois de conhecer a arte de rua de Zezé Olukemi, veio o desejo de ilustrar o livro e esta jornada tomou mais um ano. No meio do caminho, no Encontro Nacional de Escritores da Colômbia, o jornalista Valdeck conheceu a tradutora Gladys Mendía que fez a transição do português para o espanhol e, de outro encontro, em Salvador, com o poeta Julio César Bustos, veio a revisão final do livro. Pronta a versão espanhola, já era mais que hora de montar a obra e publicá-la.

Com título duplo, que em língua castelhana significa “Poesías al Viento: Veinte Poemas de Amor y una crónica desesperada”, a homenagem a um amor secreto, agora partilhado com leitores de idiomas diferentes, circula na internet em formato eletrônico e também em papel, para os amantes do tradicional. Aqui tem uma dica para quem deseja seguir os rastros do vento e descobrir quem inspirou o poeta: “Para uma miragem que povoa meu imaginário faz anos... que nem sei se é imagem ou invenção, se é sonho ou ilusão de minha mente. Esta miragem sabe de mim e de muito mais...”


Fonte:

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Capital baiana comemora oito séculos da Língua Portuguesa

Valdeck Almeida de Jesus, Varenka de Fátima Araújo e Aleilton Fonseca estão entre os homenageados

 

 

A Literarte – Associação Internacional de Escritores e Artistas juntamente com o Núcleo de Letras e Artes de Lisboa, e Academia de Letras, Música e Artes de Salvador promovem a comemoração dos 8 séculos da Língua Portuguesa com encontro nos dias 8 e 9 de agosto de 2014, cuja programação inclui música, saraus de poesia, seminário sobre Abdias Nascimento - apresentado pela Escritora e Especialista em Literatura Afro–brasileira Cecy Barbosa Campos -, visita ao Gabinete Português de Leitura e homenagens a artistas e personalidades baianas, dentre eles: Valdeck Almeida de Jesus, Varenka de Fátima Araújo, Aleilton Fonseca, ACM Neto, Albino Rubim, Célia Sacramento, Consuelo Ponde, Luislinda Valois, Mario Cravo, Nana Caymmi, Tonho Matéria, Mestre King, Beatriz Fiquer, Cássio Cavalcante, Clara Machado, Dinorá Couto Cançado, Eulália Costa, Irma Galhardo, José Araújo, Roberto Ferrari e Sônia Nogueira.

Serão homenageadas pessoas que, de forma significativa, contribuíram com a Cultura Lusófona aqui no Brasil com repercussão nos demais países. Estarão presentes diversas delegações representando os países de Língua Portuguesa, embaixadores e diplomatas, além dos presidentes da Literarte, do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa e da Presidente da A.L.M.A.S, Izabelle Valladares, Samuel Pimenta e Adriana Luz, respectivamente.

Valdeck Almeida de Jesus - Jornalista, escritor, poeta e funcionário público federal. Natural de Jequié-BA (1966), adotou a capital da Bahia para viver e fazer arte. É membro da União Brasileira de Escritores (UBE-SP), da União Baiana de Escritores (Ubesc), da Academia de Letras de Jequié, da Academia de Cultura da Bahia, Academia de Letras do Brasil (Seccional Suíça), da Academia de Letras de Teófilo Otoni, Academia Nevense de Letras, Ciências e Artes – ANELCA, Embaixador Universal da Paz (Círculo dos Embaixadores da Paz da Suíça e França), Embaixador da Divine Académie Française des Arts, Lettres et Culture, coordena o Fala Escritor. Autor de quinze livros e coautor de 110 antologias. Organiza um prêmio literário que já publicou mais de 1000 poetas de países lusófonos. Varenka de Fatima Araújo - Cearense de nascimento, baiana de coração.  Reside em Salvador-BA. Figurinista, funcionária pública, formada em Direção Teatral, atriz, maquiadora,  artista plástica,  dançarina,  poetisa e escritora. Participou de quarenta antologias.  Livros solo: “Ela em Versos”, “Fatos e Retratos” e "Varenka de Fátima”. Membro da Academia de Cultura da Bahia, Poetas del Mundo, da Confraria Artistas e Poetas pela Paz, Academia Internacional de Letras de Artes e Ciências de Argentina, da Academia de Letras de Teófilo Otoni-MG. Portal CEN e CEPA - Circulo de Estudo Pensamento e Ação.

Aleilton Fonseca - É baiano, nascido em Firmino Alves, em 1959; é escritor e professor de literatura brasileira; reside em Salvador-BA. Graduado em Letras pela UFBA, fez mestrado na UFPB, e Doutorado em Letras na Universidade de São Paulo; É professor titular Pleno da Universidade Estadual de Feira de Santana, atuando na graduação e no Mestrado em Estudos Literários. Já publicou cerca de 20 livros, entre poesia, ensaio, conto e romance. Faz parte de antologias e coletâneas nacionais e internacionais de poesia, ficção e ensaios. Recebeu o Prêmio Nacional Herberto Sales 2001– de contos, da ALB, na Bahia, e o Prêmio Marcos Almir Madeira, da UBE-RJ, em 2004. Em 2003, foi professor convidado na Universidade de Artois, na França. Em 2013, recebeu o título de "Profesor de Honor de Humanidades", outorgado pela Universidad del Norte, da cidade de Assunção, Paraguai. Pertence à Academia de Letras da Bahia, à Academia de Letras de Itabuna, à UBE-SP e ao PEN Clube do Brasil.

Programação - Sexta–Feira dia 08/08
09hs saída do hotel
10h - Feira Literária no colégio Equipe (Rua Ibicaraí, 105 – Centro – Lauro de Freitas-BA)
12:30h – Saída para o Centro de Salvador, parada próxima ao Gabinete Português, na Piedade.
13:30h – Almoço.
15h - Visita Guiada ao Gabinete Português de Leitura
16h – Retorno ao Hotel
16:30h - Recepção dos Neo Acadêmicos no saguão do Hotel, por Felipe Telles (Literarte), com entrega de livros para vendas, recepção dos participantes no Workshop sobre Literatura Afro-brasileira e Inscrição para declamar ou recitar no Sarau.
17h - Abertura do Workshop com a Professora Cecy Barbosa Campos.
18:20h - Abertura do Sarau e da Feirinha Literária (apresentações musicais de Daniel Santos, Jubiabá da Bahia e Marcos Assumpção)
20h - Abertura da solenidade de tomada de posse na ALMAS (Academia de Letras, Música e Artes de Salvador) no Salão de Festas do Hotel Golden Tulip Rio Vermelho.
21h - Jantar de confraternização no Hotel Golden Tulip Rio Vermelho

Programação - Sábado - 09/08
Encontro às 8:30h na entrada do Hotel, para saída em ônibus de Turismo para visitação dos pontos turísticos:
Mercado Modelo – até às 10h
Elevador Lacerda
Praça Tomé de Souza
1ª Faculdade de medicina do Brasil
Praça Franciscana
Fundação Jorge Amado até 11h
Igreja São Francisco
Pelourinho – saída às 12h, com almoço nas proximidades e, em seguida, visita à Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, cujo passeio se encerra às 14:30h e retorno ao hotel às 15h.
19h - Entrega da Comenda Luís Vaz de Camões do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa no Gabinete Português de Leitura a embaixadores, diplomatas e escritores, entre os quais Jorge Amado e Zélia Gatai (homenagens póstumas), Luiz Fausto, Luislinda Valois, Eliane Mariath (Presidente da ALAP), e o grande artista Mário Cravo. 

Programação - Domingo – dia 10/08
Retorno do Grupo para suas cidades - Dia Livre.
Mais informações?

quarta-feira, 5 de março de 2014

Reality Show Literário da França pode ter um escritor brasileiro

Valdeck Almeida de Jesus está concorrendo a uma vaga para o programa
Ascom: Galinha Pulando
ampliarFoto: Léo Ornelas
Valdeck Almeida de Jesus declamando no Sarau Erótico
Escritor Valdeck Almeida de Jesus concorre à Academia Balzac da França

Uma espécie de Reality Show na internet vai reunir 20 escritores em um castelo para escreverem um romance coletivo. O programa Academie Balzac é promovido pela editora francesa de autopublicação Leséditionsdu Net. A seleção dos candidatos se deu por inscrição direta pela rede mundial de computadores e os inscritos já estão em campanha por votos.
 
O poeta baiano Valdeck Almeida de Jesus é um dos concorrentes, cujo link é www.academiebalzac.fr/_baladeiro_.html, onde o internauta deve clicar em VOTEZ, apenas uma vez por dia. Cada pessoa pode votar quantas vezes desejar, se entrar em computadores diferentes ou em dias alternados. Antes de votar verificar se está escrito VOTEZ, pra não anular o voto anterior. Se estiver escrito JE RETIRE MON VOTE, não clique, isso signifca "Eu retiro meu voto". Os candidatos finais serão escolhidos por um júri e vão participar do evento que será transmitido de 1º a 23 de outubro de 2014, direto do castelo na França. Pode votar também no livro, nesse link aqui: http://www.academiebalzac.fr/spip.php?page=livre&id_livre=17484

A votação vai até final de agosto de 2014. Os mais votados serão escolhidos por um corpo de jurados e os dez selecionados para escreverem um livro em conjunto. Esles ficarão confinados na Academie Balzac, localizada no Castelo de Brillac, ao lado de Cognac, e serão vigiados 24 horas por câmeras. No dia 24 de outubro o romance deverá estar pronto para divulgação e publicação pela Edition du Net, editora francesa. Muitos incentivos para a escrita estarão no castelo como banheiras de hidromassagem, vinhos etc.


Valdeck Almeida de Jesus (1966) é jornalista, funcionário público, editor, escritor e poeta. Embaixador da Divine Académie Française des Arts, Lettres et Culture, Embaixador Universal da Paz, Membro da Academia de Letras do Brasil, Academia de Letras de Jequié, Academia de Cultura da Bahia, Academia de Letras de Teófilo Otoni, Academia Nevense de Letras, Ciências e Artes – ANELCA, Poetas del Mundo, Fala Escritor, Confraria dos Artistas e Poetas pela Paz, da União Brasileira de Escritores – UBE e União Baiana de Escritores - Ubesc. É presidente do Colegiado Setorial de Literatura para o biênio 2013/2014, junto à Fundação Cultural do Estado da Bahia, entidade ligada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Diretor Geral da União Baiana de Escritores – UBESC para o biênio 2013/2014. Publicou “Memorial do Inferno: a saga da família Almeida no Jardim do Éden”, “Feitiço contra o feiticeiro”, “Valdeck é Prosa e Vanise é Poesia”, “30 Anos de Poesia”, “Heartache Poems”, ”Yes, I am gay. So, what? – Alice in Wonderland”, “O MST e a Mídia: uma análise do discurso sobre o Movimento dos Sem Terra nos jornais A TARDE online e O Globo online” (co-autor: Jobson Santana), dentre outros, e participa de quase noventa antologias. Organiza e patrocina o Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Literatura, desde 2005, o qual já lançou mais de 1000 textos de poetas do Brasil, África, Portugal, Estados Unidos, Venezuela, Suíça, China, Japão e outros. Colabora com os sites Favas Contadas, Artigonal, Web Artigos, Recanto das Letras, Portal Literal, Portal Villas, Pravda, PodCultura, Overmundo, Dino, Dzaí, Difundir, Jornal do Brasil e Só Artigos. Tem textos divulgados nas rádios online Sol (Diadema-SP), Raiz Online (Portugal) e CBN (Globo). Site: www.galinhapulando.com
Foto: Léo Ornelas (Sarau Erótico)

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Meu encontro com Paulo Coelho em 2013 no Varal do Brasil

                                                     Valdeck Almeida de Jesus e Paulo Coelho (Escritores)
                                                            Foto: Paulo Aisenman
 
 
Participei do 27º Salão do Livro de Genebra, de 1º a 5 de maio de 2013, graças ao convite de Jacqueline Aisenman e família (Paulo, Lázaro e Sabrina), que expôs no estande Varal do Brasil. Dentre tantas surpresas agradáveis, sorrisos, encontros e reencontros, tive o prazer de conhecer Paulo Coelho, o maior fenômeno da literatura brasileira, que foi ao salão especialmente para visitar o estande do Varal. Foi uma emoção imensa ver ao vivo e a cores o grande escritor e, ainda mais, poder chegar perto, tirar foto com ele e oferecer um exemplar do meu livro. Agora guardarei para sempre as fotos, contarei para netos e bisnetos esta façanha!

O Varal do Brasil é um projeto brasileiro e suíço, comandado por Jacqueline, brasileira de nascença e suíça por raízes de família. Inicialmente uma revista eletrônica, que continua funcionando, agora virou também livro e estande na maior feira literária da Suíça. Pelo segundo ano consecutivo o grande banquete literário é servido, desta vez com mais de trinta autores de várias partes do mundo. Eis a lista dos que estavam presentes e autografaram livros infantis, antologias, romances, livros de autoajuda, didáticos, de pesquisa, poesia etc: Jacqueline Aisenman, Valdeck Almeida de Jesus, Lúcia Amélia Brulhardt, Deucélia Maciel, Eder Roberto Dias, Sonia Medeiros Imamura, Jania Souza, Leni André, Ana Maria Stoppa, Carlo Montanari, Jan Bittencourt, Clara Machado, Dyanderia Portugal, Roselis Batistar, Ainoha Leporelo, Irma Galhardo, Saskia Brígido, Gorete Newton, Jô Ramos, Samuel Lira, Luiz Carlos Amorim, Flavia Assaife, Paulo Levy, Caroline Baptista Axelson, Leonia Oliveira, Tamara Ramos, Julien André, Ana Rocha Dulce Rodrigues, Luís Gomes e muitos outros.

Foram dias que passaram como minutos. Agora só resta esperar o próximo encontro, para matar a saudade. Apesar de tão pouco tempo, aconteceu apresentação musical com Marcus Assumpção, exposição de telas do pintor Richard Calil Bulos (in memoriam), bonecas da tribo Karajá, com a presença de Narubia Werreria Iny e muito mais.

Ainda deu tempo de fugir um pouco, fui jantar com Mary Barreto e Marcos, ela brasileira, de Ilhéus, e ele, de Portugal, com os filhos do casal, Marquinhos e Gabriela, e com os amigos deles Gil e Francieli. Foi servido um jantar tipicamente brasileiro, com peixe pescado no Lac Le Man, por Marcos, com bife, quiabo e muito mais...

Em Lausanne, curti o carnaval típico da Suíça com minha amiga Ignez Agra, tomei caipirinha, fui a museus e assisti um concerto de violoncelo na Catedral da cidade... Para não deixar barato, fui a Ivoire, com Marcus Assumpção ao volante, acompanhado de Sônia Medeiros e Angela Mota, todos uns amores de pessoas... Abílio, amigo deles, resolveu não ir. Perdeu um belo programa.

Para encerrar, frango com arroz, com os amigos Bruno, Jânia Souza e Samaritana Pasquier... Carinho e afeto não têm preço...


Algumas fotos do último dia:
http://www.facebook.com/media/set/?set=a.188249421328263.1073741844.100004296189822&type=3&uploaded=60

quarta-feira, 18 de julho de 2012

22ª Bienal do Livro de São Paulo terá lançamento de "Como Escrever, Publicar e Divulgar um Livro"


Todo mundo quer ser escritor. Publicar um livro, porém, envolve custos e habilidades específicas que poucas pessoas conhecem. O que vale, mesmo, é acreditar no seu potencial e começar a escrever. Muitos grandes profissionais, de várias áreas do conhecimento tiveram suas obras recusadas por editoras e depois se tornaram artistas renomados por não desistirem. Mas a publicação, em si, já não é mais mistério. Há várias formas de colocar no papel aquele romance, conto, poema ou pensamento.

Mas o trabalho não terminha com impressão da obra. Aí começam novas etapas que envolvem outros profissionais. Valdeck Almeida de Jesus recebe diariamente perguntas relacionadas ao universo do livro e sempre as respondeu dentro do possível. Com o tempo, colecionou vários e-mails e transformou as respostas em um manual de fácil leitura e compreensão. Confira no livro e comece logo a escrever a grande obra de sua vida!

O lançamento acontece no estande da Livraria Loyola, no dia 17 de agosto de 2012, às 19:30h, ao preço de R$ 30,00, na 22a. Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Seguem algumas dicas contidas no livro
1- Envio dos originais para editoras avaliarem – Na internet é fácil encontrar sites e endereços de editoras interessadas em novos autores. Algumas aceitam a obra via e-mail, outras preferem o material impresso ou em CD encaminhado pelos correios. É a tentativa mais fácil de publicar. Se o livro for escolhido, pode ser impresso e distribuído por todo o país, a depender do tamanho da editora.

2- Pagamento por uma publicação – Muitos escritores têm preferido esta modalidade. Contratam uma editora que produz o livro, prepara capa, faz correção ortográfica e gramatical e até noites de autógrafos. Para quem não tem tempo e deseja comodidade, é uma boa alternativa. Há empresas que se especializam a ponto de fazer a distribuição e venda do livro, bem como a divulgação dos seus autores na mídia. Os preços variam de acordo com o serviço contratado.
Se o próprio autor fica encarregado da divulgação e venda o negócio se complica, principalmente pelo fator “tempo” disponível para esta atividade e pela falta de experiência. O livro pode ficar encalhado na casa do escritor ou servir de presente para os amigos dele.

3- Publicar via Clube de Autores – Este site publica livros gratuitamente. Basta que o autor se cadastre e edite o seu livro por conta própria. A impressão é feita sob demanda, à medida que o próprio autor solicite exemplares ou que o livro seja vendido, via internet. Não há obrigatoriedade de permanecer no site. Se o livro fizer sucesso e o escritor quiser romper o contrato, isso é feito com facilidade e sem custo. Além do Clube de Autores (clubedeautores.com.br), há dois outros sites estrangeiros que lidam com este tipo de mercado: lulu.com e blurb.com

4– Contratação de um agente literário - O profissional contratado pode levar sua obra a diversas editoras e, a depender da habilidade dele e do conteúdo de seu livro, poderá ter seu trabalho publicado e patrocinado por uma editora. Este serviço não é barato. Há agentes que cobram até para analisar a obra.

5- Publicação na internet – É a forma mais fácil de publicar. Divulgação pela rede de computadores é muito fácil. Mas cobrar pelo livro é mais complicado. A vantagem é tornar-se conhecido e poder atrair uma editora interessada na popularidade do escritor. A publicação tanto pode ser em sites, blogs, flogs, como em livros eletrônicos, os chamados e-books. Algumas editoras já publicam, além da edição impressa, a versão eletrônica, acessível a um preço mais em conta. Há livros eletrônicos que se pode "baixar" para o computador e distribuiir gratuitamente. Outros vêm com proteção para abrir somente na máquina em que foi salvo pela primeira vez.

6– Participação em concursos literários – Há prêmios literários que pagam aos vencedores quantia em dinheiro ou publicação dos livros selecionados. A depender do prêmio, isso pode significar a divulgação na mídia nacional e/ou internacional e a contratação por uma editora. Esta é uma forma de entrar pela porta da frente no mercado editorial. No entanto, a maioria dos concursos e prêmios literários exigem o pagamento de uma taxa de inscrição. Muitos dos certames servem apenas a quem os promove. Portanto, a escolha por se inscrever precisa ser bem analisada.

7– Participar de antologias – Na internet proliferam as empresas e pessoas físicas que promovem livros escritos por vários autores. As antologias servem para escritores iniciantes e que não podem pagar pela edição de um livro solo. Os preços variam de acordo com a quantidade de páginas contratadas. Algumas iniciativas são louváveis, pois lançam os livros em coquetéis, cafés literários ou em bienais do livro. A maioria cobra inscrição para que o autor participe ou que compre antecipadamente uma quantidade determinada de exemplares. Pouquíssimas iniciativas não cobram taxa de inscrição. O Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia premia os selecionados com a publicação. Os primeiros dez colocados recebem um exemplar do livro. Os demais não recebem nem são obrigados a comprar.

8– Leis de Incentivo à Cultura – Há a Lei Rouanet e leis estaduais e municipais de incentivo à cultura. Todos os anos são abertas inscrições a editais que selecionam obras literárias nos vários gêneros. É bom ficar de olho. A desvantagem dessa modalidade é a burocracia, a infinidade de formulários e regulamentos, além da captação dos recursos que sempre fica por conta do escritor. Já existem empresas que executam todas as etapas desse processo, desde a inscrição até a prestação de contas final.

Divulgação, Distribuição e Vendas
Vencida a etapa da publicação, vem a parte crucial e que pode desestimular ao novo escritor. Para se vender um livro, colocá-lo numa livraria, divulgá-lo e fazer o produto final livro circular, é preciso ter sorte, pagar para distribuidoras de livros, pagar para a livraria colocar o livro em local visível na prateleira. Ou seja, o trabalho árduo do escritor não termina quando ele conclui a obra e envia para uma editora. Participar de debates, feiras de livros, palestras, simpósios e eventos relacionados à cadeia literária nem sempre é barato e acessível ao escritor iniciante. Estas atividades ajudam a tornar o autor conhecido e a divulgar o seu trabalho. Uma boa alternativa é o escritor visitar escolas, se integrar a projetos de incentivo à leitura, interagir com a comunidade, fazer rodas de leitura em bibliotecas etc. A dica é ficar antenado e procurar escritores mais experientes, trocar idéias, intercambiar informações. O resto, é esperar que o leitor aprove seu livro e o leve pra casa, leia e comente. O boca a boca é a melhor propaganda.

Revolução do processo literário
O mercado livreiro está concentrado nas mãos de poucas pessoas, que o controlam e ditam as regras. No processo em que o próprio escritor participa da produção, o círculo se quebra. O autor do livro pode ganhar em agilidade, pois tira todos os atravessadores do seu caminho. Não mais há pedra na sua rota. Do word o texto vai direto para a editoração. Ali, o escritor prepara o formato do livro, detalhes como tipo e tamanho de papel, desenho de capa etc. Vencida esta etapa, ele "publica" o livro na internet, envia para impressão e o próprio site se encarrega de remeter a encomenda a quem comprar, cobrando o devido preço. Adeus agente literário, gráfica, editor, distribuidor, livraria, vendedor etc... Ganha o mercado, ganha o escritor e ganha, muito mais, o leitor, que vai contar com uma variedade imensa de novos títulos a preços super em conta.

sábado, 26 de novembro de 2011

José Inácio Vieira de Melo por 21 poetas do Século XXI

A SAGRAÇÃO DO FOGO NAS ÁGUAS BRUSCAS DA POESIA – 21 POETAS DO SÉCULO XXI ENTREVISTAM JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO

Por José Inácio Vieira Melo, segunda, 26 de Setembro de 2011 às 13:30

A poesia é uma religião e ele, um apóstolo da palavra. Assim o poeta José Inácio Vieira de Melo define a si mesmo e sua obra. Logo depois do lançamento de 50 poemas escolhidos pelo autor, ele responde a uma entrevista coletiva a 21 jovens poetas. Desses, dezessete participam da coletânea Sangue Novo, organizada pelo próprio JIVM, que reúne novos escritores baianos. Foram convidados, ainda, o paraibano Bruno Gaudêncio, o moçambicano Eduardo Quive, o paulista Paulo Ortiz e o cearense Wender Montenegro.
ALEXANDRE COUTINHO – Nesta Casa que agora é fotografada, revista, você chegou a alterar a disposição de versos, estrofes, como você mesmo diz, passaram por aí "ventos dadaístas"? Como foi voltar ao “cemitério de ilusões” e selecionar os 50 poemas que atestassem ao poeta doido de pedra “a Pós-Idade da Pedra Sagrada”? Seria a tradição mesma que invoca nos poemas, em Cristo, na terra e na família, aquilo que faz o homem e ilumina as partes mais sombrias da casa, este labirinto de si mesmo, o encontro mais próximo da origem a que você se refere?
JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO – Estou vivendo a casa dos meus quarenta anos. É um não lugar que tem muito me ensinado. Visitar meus cinco livros publicados e destacar 47 poemas foi uma mão de obra muito difícil. Três são inéditos (“Aurora”, “Cântico para Gabriel” e “Sonata das musas escarlates”). Os “ventos dadaístas” quase que não me visitaram durante o processo de seleção, de modo que poucas mudanças foram feitas nos poemas. O que mais me impressionou foi perceber que realmente meu tempo está passando, que os versos da juventude ainda soam jovens e trazem todas as lembranças do que vivenciei – dos lugares, das pessoas. As sensações parecem estar bem ali, bem aqui diante e dentro de mim. Isso é mágico, é um encanto, tem seus perfumes, mas faz transbordar também as dores. E é muito bom constatar que em toda a minha vida a poesia esteve presente.
A tradição é um referencial. O labirinto está em mim. Cada passo que dou é um percorrer de searas íntimas e cósmicas. O animal que me habita há de perambular até chegar a hora em que suas carnes não mais resistam. Mas acredito que não sou apenas este animal. Toda explicação para vida e para o poema é muito pouco para mim. A origem é apenas o meu jeito de nomear o que não tem nome. O meu é caminhar por aí, por aqui, até virar cinza e flor, pó e nada.
ANDRÉ GUERRA – O que representa a transmutação dos mandacarus e das algarobeiras em rosas? É o mesmo jardim, a mesma seiva? Ou são outros ventos?
JIVM – Nada é igual, mas todo dia é sempre a mesma coisa. E como tudo é tão novo! São paradoxos, meu amigo! A paisagem dos mandacarus e das algarobeiras se amalgamaram no Roseiral. O Roseiral é um Sertão sombreado pelas várias cores do encarnado escarlate. O sumo dos cactáceos e das leguminosas do Sertão é a mesma seiva das rosas que correm em minhas veias – eu sou o ser tão. Filho do Vento Nordeste, recebo mensagens dos ventos dadaístas, que a cada instante se renovam e se transformam, sendo sempre os mesmos ares. Agora, mais do que nunca, nesta antologia dos 50 poemas, os meus cinco livros publicados se transmudaram num único jardim.
A antologia 50 poemas escolhidos pelo autor, novo livro de JIVM, traz poemas dos seus cinco livros
BERNARDO ALMEIDA – Aos 43, você seleciona 50 poemas de cinco livros. Já dá pouco mais de um para cada ano de vida – como se os arroubos da poesia obedecessem à contagem tic-tac do tempo lógico. Mas, as belezas que lhe incomodaram chegaram às bodas de sangue. E cinquenta, para ti, é uma promessa que virou tendência e vai se afirmando como vantagem (após tantos nevoeiros). Aí você nos diz que reside ainda na casa dos seus 40 anos... Mas, algo já lhe deslocou de lá, com um abalo sísmico de pelo menos 3 na escala Richter. A meu ver, já é o suficiente para criar movimento. Diante disso, onde reside agora o “outro” na sua poesia? O “outro” como eco, o “outro” como você reescrito, o “outro” como o “eu” do poeta diluído em tantos outros que sentem o que acreditam ser o que você sentiu ao escrever cada poema?
JIVM – Em outra entrevista coletiva falei que quando faço meus poemas não penso no outro. E, agora, corroboro esta afirmação. A minha poesia surge de uma necessidade de expressão, como uma sede desesperada que só acaba quando bebo na fonte dos versos. Mas, depois de pronta, é o outro que dá vida à poesia que está no livro, no blog, no cd ou em qualquer outro suporte. É o leitor quem acende a fogueira das metáforas que ali estão. E se houver poesia de fato e se o leitor/receptor se identificar de alguma maneira com aquela arte, aí sim a poesia ganha dimensão e há de acontecer um êxtase, um gozo, uma epifania, uma alegria. E aí já é o outro que possui e recria, a partir da sua emoção, o poema. Faço poesia por necessidade, mas sem o outro não há reconhecimento público do poema nem do poeta: “Fantasma de barro/ preciso de um amálgama/ e que teus olhos me afirmem”.
BRUNO GAUDÊNCIO – Sabemos das dificuldades que o escritor tem em situar sua própria obra dentro de um contexto histórico da qual ele mesmo faz parte (no caso, refiro-me a literatura brasileira contemporânea), porém, gosto sempre de indagar sobre este viés, diríamos, de “autocrítica do poeta”. Sendo assim, diante da publicação do livro 50 poemas escolhidos pelo autor, minha pergunta é: como José Inácio Vieira de Melo percebe e lê a sua própria poesia neste início do século XXI, fazendo parte de uma geração em que múltiplas vozes se apresentam, como os cânones Ferreira Gullar, Lêdo Ivo, Augusto de Campos e Manoel de Barros, e ao mesmo tempo interagindo com jovens que aos poucos se sobressaem como “militantes líricos da poesia”, a exemplo dos poetas do Sangue Novo (todos vivenciando as tantas continuidades e rupturas do seu tempo – seja no que se refere à formatividade ou a temática da poesia atual)?
JIVM – Falar do lugar que minha poesia ocupa dentro de um contexto tão vibrante e tão versátil como o da poesia brasileira contemporânea é algo que realmente não gosto de fazer. Prefiro que os outros o façam, mesmo que sejam os que tecem comentários ofensivos gratuitos, pois até esses invejosos contribuem para que eu perceba a dimensão do espaço que minha produção ocupa. O que percebo e sinto é que minha poesia é mais uma voz, oriunda de leituras e releituras de tantas vozes, que se junta a um turbilhão de outras vozes para compor esse quadro tão maleável que é o da poesia contemporânea brasileira. Minha poesia tem alcançado um publico considerável, a crítica tem dedicado atenção para os meus livros, que têm sido motivo de estudos acadêmicos – monografias de graduação e de especialização e, até mesmo, tese de doutorado. Tudo isso é muito relevante, mas não define nada ainda. Sou muito presente e muito atuante. Isso, provavelmente, influencia muito na repercussão do meu trabalho. O tempo, este sim, é o grande balizador.
Roseiral - o mundo encarnado pela seiva das rosas escarlates
CAIO RUDÁ OLIVEIRA – Em entrevista concedida à Revista Correio das Artes, você esclarece muito sobre a obra Roseiral, sua concepção e composição, sua estética e temática, informações que auxiliam a leitura. Para você, em que medida o autor é responsável pelo entendimento de sua obra? Acha válido lançar mão de elementos paratextuais, sobretudo do epitexto, para complementar seu sentido?
JIVM – Isso é muito relativo. E depende muito de qual seja a intenção do autor. De minha parte, não faço um livro com intenções determinadas. As coisas vão acontecendo, ganhando corpo, até chegar a uma conformação que me satisfaça, em alguma medida. Meus livros sempre são formados por capítulos, onde figuram poemas que tem alguma aproximação temática e/ou formal. Quanto à questão de entendimento da obra, penso que o poeta não tem nenhum compromisso com isso. Cada leitor é que deve buscar os caminhos que mais lhe são agradáveis. Agora, se o camarada escreve um livro didático de Geografia ou um romance histórico, espera-se que haja coerência e objetividade no seu texto. Sou a favor de que cada escritor deve usar de tudo o que lhe aprouver para realizar sua obra. Nos meus livros, eu não explico nada sobre os poemas. É o livro de poesia e pronto! Numa entrevista é outra coisa. É fora do livro. Numa entrevista, não faço poesia, apenas falo sobre poesia. Embora entenda que o que diga pode direcionar as leituras. Mas acredito, também, que o leitor de poesia não faz apenas uma leitura, ele faz leituras.
CLARISSA MACEDO – “A sagração do mito", presente na antologia 50 poemas escolhidos pelo autor, é um poema que cutuca, de modos diversos, e que, entre outras coisas, desponta um Ser que se busca, que necessita, que se sabe, que ordena e que se encontra estilhaçado. Em entrevista ao Correio das Artes, você afirma que busca "dizer as coisas de uma forma que soe ao menos pessoal". Como você diria esta coexistência, se assim posso chamar, de seres em um Ser tão real e cósmico, dividido entre o universo universal e o universo particular forjados por José Inácio Vieira de Melo, alimentado pelo 'Mito em Sagração' e constituído por essa sua poesia de Fogo e Rosas, de procuras e de fugas, no poema aqui citado?
JIVM – Diria como disse lá no poema. Um ser que se abisma pela perplexidade da existência. Que sofre encantamentos e êxtases com as mínimas coisas da vida, mas, ao mesmo tempo, sofre terrivelmente com a finitude das coisas que o rodeiam, porque sabe que é também o seu caminho. Minha poesia é de fogo porque sou do Sertão, porque sou adorador do fogo, porque o fogo me purifica. Meus poemas são meu jardim, onde estão versos de mandacarus, versos de algarobas e todas estas rosas tão belas e cheias de espinhos, que são minhas musas, sem as quais eu seria apenas um relincho sem graça, sem ritmo e sem poesia. O meu ser, tão perdido, encontra pouso em outros seres que me acham e que me mostram para mim mesmo – então, às vezes, eu me vejo na menina dos teus olhos, e sinto “todos os meus estilhaços/ todos os eus consagrados” – e é tão bom!
DANIEL FARIAS – Inácio, vejo-te como o centauro das rosas incandescentes. Valho-me da poesia impecável de Luís Antonio Cajazeira Ramos para dizer que nos teus versos, José, há "algo de novo,/ muito antigo e completo, feito fogo / ou verdade", como pedra, sertão, criança e silêncio. E quero saber: o que em ti não cabe? O que permanece aceso? O que há de arisco e "ingalopável"?
JIVM: "Toda descoberta é um encontro. O ser é morada de tudo".
JIVM – No ser cabe tudo o que se conhece. E o que não se conhece está lá também – bem dentro do ser. Toda descoberta é um encontro. O ser é morada de tudo. É só olhar o que está acontecendo no mundo e ter consciência de quem está realizando. O que busco é transformar toda essa força destruidora, que existe potencialmente em qualquer ser, em algo saudável que possa me proporcionar sossego sem agravar o próximo. O que permanece aceso é essa Luz redundantemente incandescente que me convida para viver com intensidade todas as delícias da existência. E até a dor de viver precisa ser sentida com intensidade. A vida em toda a sua extensão e largura, com todos os temperos ariscos, com todos os riscos de um galope dentro da imensidão, é o que há.
EDUARDO QUIVE – Que posição ocupam, entre vários, os 50 poemas que selecionou e em que momentos eles se encontram na sua vida pessoal? Que mensagem pretende transmitir com os mesmos, aos seus leitores?
JIVM – São poemas que fazem parte de toda a minha trajetória. Estão na antologia desde “Registro da fala do silêncio”, o primeiro poema de meu primeiro livro, até “A casa dos meus quarenta anos”, o derradeiro poema do meu livro mais recente, portanto são poemas que me acompanham por toda a minha caminhada poética e por boa parte da minha vida. Ao invés de uma mensagem, o que tento em todos os meus poemas, tanto nos que foram selecionados como nos que ficaram de fora, é expressar minha emoção. Aos meus leitores ofereço o que tenho de melhor, que é a minha emoção através da arte poética.
ÉRICA AZEVEDO – A necessidade da poesia que você diz lhe impulsionar salta em seus versos e nós, leitores, também sentimos sua necessidade e sua presença. É a poesia como meio para suportar o peso do viver, uma vez que o único caminho é “riscar esporas no vazio” porque “para quem está no breu/ qualquer lampejo é alumbramento” e o homem não “suportaria entender a verdade do lugar nenhum”. É a purificação pelo fogo, constante metáfora em sua lírica. Até que ponto essa busca impulsionou você na seleção dos poemas aqui reunidos? Há versos que queimam mais e, por isso, estão nesta antologia?
JIVM – Tive muita dificuldade em fazer a seleção. E mais dificuldade ainda em fazer a divisão. Os poemas estão repartidos em cinco capítulos que tentam seguir uma orientação temática, mas sem muita rigidez. Poderiam, tranquilamente, estar num único bloco, na sequencia em que estão dispostos, que não faria muita diferença. Gostei do critério que você apontou na sua pergunta: “os versos que queimam mais”. Pois é isso mesmo, minha poética me marca como fogo. E os poemas que escolhi são aqueles que ainda estão em brasa, tal qual uma sarça ardente. Claro que são também aqueles que considero mais bem realizados formalmente, em que sinto fluir um ritmo e uma musicalidade que justificam a presença na antologia.
A infância do centauro: romaria, jardim e harém
FABRÍCIO DE QUEIROZ VENÂNCIO – Você comenta que os poemas estão distribuídos em uma "orientação temática, sem muita rigidez". Ou seja, não há uma ordem cronológica com relação à publicação de seus livros e isso pode ser ratificado, por exemplo, no aparecimento de poemas de A infância do Centauro (bem como dos demais) em todos os capítulos. Qual a contribuição, considerando o entendimento da sua poesia e o histórico de suas obras, desta seleção para um leitor novo e um experimentado em José Inácio Vieira de Melo? Trata-se de um ímpeto esclarecedor, é resultado de uma "sarça ardente" do momento ou é uma visão defronte do espelho do poeta, tida num domingo de comunhão?
JIVM – A palavra “antologia” significa, na sua origem, florilégio, tratado das flores. Então, o que se pretende ao publicar um livro que assim será chamado é escolher o que há de melhor em uma obra – ou pelo menos aquilo que o autor considera como tal. A contribuição é a de escolher com cuidado e oferecer aos leitores as flores dos meus jardins dos mandacarus e das algarobeiras e as rosas mais ardentes da minha infância e do meu Roseiral. Quando fui convidado por Waldir Ribeiro do Val, no início de 2010, para participar da coleção 50 poemas escolhidos pelo autor, confesso que fiquei assustado, mas, ao mesmo tempo, muito contente, pois se trata de uma coleção da qual já participaram poetas da minha admiração, como Lêdo Ivo, Anderson Braga Horta, Astrid Cabral, Ildásio Tavares, Gilberto Mendonça Teles, Antonio Carlos Secchin, Tanussi Cardoso. Mas como estava para publicar o Roseiral, então pedi um tempo, pedi para que a publicação ficasse para 2011. E é o que está acontecendo.
A distribuição dos poemas não é rígida, não obedece uma ordem cronológica, mas pode ser feito um roteiro a partir dela. A primeira parte apresenta poemas místicos e metafísicos, nos quais, ora se afirma uma fé, ora se questiona a existência. Na segunda, visito a temática da infância, adentro pelo universo familiar e desemboco no Sertão. O terceiro capítulo é uma sonata para as minhas musas escarlates. No quarto, resolvi colocar os poemas que constituem a minha poética, alguns são metapoemas e outros constituem uma mítica autoral. A quinta e derradeira seção, apresenta poemas que tratam da finitude, que falam do quanto somos efêmeros, acabando com um breve canto de paz. Por outro lado, todos esses temas estão espraiados por todas as páginas da antologia.
GEORGIO RIOS – Embora você vaticine nestes versos “os livros foram lidos e tudo já foi dito”, também outro poeta disse: “Al andar se hace el camino”. Nós os leitores de poesia, da sua poesia, procuramos saber: o poeta trás no surrão alguma nova invenção poética acomodada em novo livro? Havendo, trilhará novos varedos, como fez com Roseiral?
JIVM – Meus livros são como o conto de Borges “O jardim dos caminhos que se bifurcam”. A gente vai num caminho aparece uma bifurcação, a gente escolhe um. Mais adiante aparece outra bifurcação, a gente escolhe mais outro, e assim por diante. Às vezes, mais que uma bifurcação, a gente se depara com uma encruzilhada e aí é mais complicado de escolher, mas a gente escolhe. E segue. No final todo o labirinto só tem uma saída. O que quero dizer é que estou o tempo todo a escrever um livro. Espero que ao final dessa minha existência eu consiga cumprir minha missão. O próximo livro é um capítulo da minha escritura que muito me agrada. Chama-se Pedra Só. E por enquanto é só.
GIBRAN SOUSAAs referências, as circunstâncias, as influências e digressões, todos e tantos atalhos internos e externos a cadenciar a estética de um novo poema, imprevisível. As formas, as fôrmas, os sinais, os sons, até onde podem ir? Você sente necessidade de dizer de outras maneiras? O que representa a estética hoje na poesia? E na sua poesia?
JIVM – A poesia pode ir até onde a luz não vai. E cada poeta, quando poeta de fato, diz as coisas de uma maneira que não é a tua nem a minha nem a de outrem, portanto diz de sua maneira. Ontem, hoje e amanhã, a poesia foi/é/será estética. Alguns ingênuos fazem afirmações, salientando que tal poeta faz uma poesia de hoje, uma poesia viva, do seu tempo. Entendo que quem faz uma poesia de hoje, faz uma poesia datada. A grande poesia, para mim, atravessa os tempos, como acontece com a obra Hölderlin e de Homero, como acontece com os Salmos, de Davi e com os Cânticos, de Salomão. Poesia sem estética não é poesia, é apenas um mero derramamento verborrágico ou então uma pretensiosa construção de grafitos estéreis espalhados na folha do papel – e nada pode ser pior.
Coletâneas organizadas por JIVM: Concerto lírico a quinze vozes e Sangue Novo
GILDEONE DOS SANTOS OLIVEIRA – Além de galopar em seus versos montado num Cavalo de Fogo, você exerce também a função de um escritor que atua no meio literário, tendo organizado duas antologias; Concerto lírico a quinze vozes (2004) e mais recente o Sangue Novo (2011). De onde vem esse desejo de ser um escritor atuante? Pretende continuar contribuindo de que forma com a literatura, além de esporear seus versos? O que você pensa da relação da literatura com o mundo virtual e as novas mídias?
JIVM – Eu sinto que as coisas precisam ser feitas. Como quase ninguém se dispõe a fazer nada, eu me coloco no lugar de fazer. Ou seja, eu vou lá e faço. Com o passar do tempo, as pessoas foram percebendo que eu tenho essa capacidade de movimentação e de articulação. Então, o tempo todo, tem gente me procurando pra fazer isso e aquilo e mais... Só que chegou a um ponto em que o tempo não dá mais para tantas coisas. Seria necessário que meu dia tivesse ao menos 48 horas para eu atender metade das propostas que me são feitas. De onde vem esse desejo? É da minha natureza mesmo.
Olha, se não fosse a internet com as redes sociais e os milhares e milhões de blogs e de sites, a minha poesia não teria um décimo da repercussão que tem. A relação entre o mundo virtual e a literatura é muito proveitosa. As novas mídias trouxeram uma enorme contribuição para a difusão da literatura pelo mundo afora.
JANARA SOARES – O silêncio é recorrente em sua poesia, encontrado em diferentes contextos. Podemos vê-lo em vários poemas, como “Registro da fala do silêncio”, “Rosa Mística”, “Aurora”, “Cerca de Pedra” e outros. “Em silêncio”, “você ouve o silêncio das estrelas”. Depois de tudo já ter sido dito, de todos os livros terem sido lidos, “resta o silêncio”. Você “contempla a mansidão do silêncio que voa”. Como o silêncio influencia o seu processo de criação? Ele é necessário durante o fazer poético ou é um estado utópico que você transporta para o poema para nele vivê-lo? Como foi sua relação com o silêncio no início de sua atuação como poeta e como é hoje, na casa dos quarenta, tendo caminhado bastante na poesia?
JIVM: "...para vivenciar e dar corporeidade à minha poesia, preciso entrar em silêncio".
JIVM – Apesar de ser bastante falante, o silêncio sempre foi minha melhor companhia. Passei boa parte de minha vida morando sozinho e em lugares ermos – lugares abertos, com forte presença da natureza e com poucas pessoas por perto. Nos quase quatro anos em que morei em Maceió, na minha adolescência, vivi momentos de uma relação amorosa com o mar, sobretudo com as praias de Pajuçara e de Jacarecica. Momentos em que entrava em silêncio e que podia sentir a sinfonia das ondas do mar. Outro momento significativo da minha vida foi a década que passei na fazenda Cerca de Pedra, onde vivenciei momentos sublimes de espanto dentro do silêncio. Foi um período em que convivi com pouquíssimas pessoas e, portanto, quase não falava. Depois de ter aprendido a falar, você já passou algum dia de sua vida sem dar uma palavra? Eu já. Mas um turbilhão de vozes gritava dentro de mim. Em outros momentos, eu esvaziava o pensamento e não percebia nem sentia em mim a linguagem – e sobre isso não há o que dizer, pois a palavra não dá conta desse plano. Pois é, na Cerca de Pedra vivenciei momentos em que o único outro que existia era eu mesmo. Daí meu primeiro livro se chamar Códigos do silêncio, título que nem foi ideia minha, mas do grande poeta Gerardo Mello Mourão, meu mestre e amigo saudoso. Daí o primeiro poema de meu primeiro livro ser o “Registro da fala do silêncio”. Eu não sei o que é processo de criação, mas, para mim, sem silêncio não há poesia. Como me faz bem acender uma fogueira no terreiro da casa dos meus quarenta anos, lá na Pedra Só, e sentir as centelhas virarem estrelas! Como é mágico no alvorecer do dia caminhar sobre um lajedo e sentir a mansidão do silêncio que voa e os violões do sol na boca dos pássaros! A minha relação com o silêncio acontece o tempo todo. E não importa que esteja em meio à multidão, não importa o labafero que esteja acontecendo, para vivenciar e dar corporeidade à minha poesia, preciso entrar em silêncio.
LIDIANE NUNES – Os poemas que fazem parte do livro 50 poemas escolhidos pelo autor possuem uma variedade de temas: o misticismo, a memória, o galopar no sertão, as musas, a família, a própria poesia, o silêncio, a brevidade da existência, o caminhar sem rumo, entre outros. Isso é prova de que a sua leitura é vasta, afinal, um bom poeta é, antes de tudo, um bom leitor. No ensaio intitulado Tradição e talento individual, T.S Eliot defende que “nenhum poeta e nenhum artista de qualquer ofício produz sentido integral sozinho. Seu significado é a apreciação de sua relação com os poetas e artistas mortos.” Sendo assim, o que você anda lendo? Quais os autores – vivos ou mortos – que mais influenciam o seu fazer poético?
Mariana Ianelli, Roberval Pereyr e Ronaldo Correia de Brito - escritores contemporâneos admirados por José Inácio Vieira de Melo
JIVM – De uma maneira ou de outra, toda leitura me influencia. Há livros que abro e começo a ler e a sensação que vem, logo de imediato, é que aquele tipo de escritura é um caminho que não trilharei, mas que tem importância, visto que passa a ser um referencial das searas que não frequentarei por pura falta de interesse. Outros fazem com que tenha a vontade de, cada vez mais, me aprofundar naquela obra, de sentir os processos que desencadearam aqueles momentos estéticos de rara beleza. Neste sentido, poetas como Jorge de Lima, Gerardo Mello Mourão, Mariana Ianelli, Herberto Helder, Foed Castro Chamma, Myriam Fraga, Roberval Pereyr e Francisco Carvalho têm exercido uma influência muito salutar para mim. São poetas com os quais tenho uma sintonia muito grande. Há outros que, apesar de serem bem distintos e distantes do meu fazer poético, são poetas pelos quais tenho profunda admiração, como é o caso de Alberto da Cunha Melo e Luís Antonio Cajazeira Ramos. Outros que muito contribuíram para a minha formação foram/são Cecília Meireles, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa, Walt Whitman, Konstantinos Kaváfis, Garcia Lorca, Rafael Alberti, Juan Ramon Jimenez, Rainer Maria Rilke, Hölderlin. Na prosa, além de Miguel de Cervantes, Gabriel Garcia Marquez, Machado de Assis, Graciliano Ramos e João Guimarães Rosa, destaco a minha afinidade com a obra de Ronaldo Correia de Brito, José Alcides Pinto, Hermann Hesse e William Faukner. Mas o fundamento e o fundador de todos os que citei até agora é Homero.
Acabei de ler a poesia reunida de Dora Ferreira da Silva, poeta paulista de grande valor, e estou a ler Vivendo sob o fogo, uma autobiografia da poeta Marina Tsvetáieva feita a partir das cartas que enviava aos seus amigos e que foram selecionadas por Tzvetan Todorov. Através das suas correspondências o leitor conhecerá uma das maiores escritoras do século XX, que teve uma vida marcada por grandes tragédias. Comecei a ler Homem ao termo, livro que reúne a poesia do poeta mineiro Affonso Ávila. Outro livro já está aqui do meu lado, chegou hoje, trata-se da segunda edição de Intramuros, da poeta amazonense Astrid Cabral, querida amiga e artista de grande valor. Mas como falar das referências sem mencionar o papel fundamental da Bíblia e de As mil e uma noites?
PAULO ORTIZ – Sua poesia percorre diversas vertentes contemporâneas, com vozes das vanguardas do começo do século XX e ecos do Regionalismo modernista. Vejo dois autores que seriam seus pais espirituais nesse caminho, o misticismo entrelaçado pela cor local tanto de um Jorge de Lima como de um Guimarães Rosa. Como ocorre em você a interlocução de propostas tão modernas, seja no acaso e na quebra da lógica, no niilismo e no humor, com a tradição regional, seu vocabulário agrário e uma necessidade de experiência descritiva daquele homem inserido em tal realidade? Sabemos alguns dos segredos daqueles dois escritores nesse sentido, mas agora é sua vez de desvelar um punhado dos seus.
Jorge de Lima, João Guimarães Rosa e Gerardo Mello Mourão - grandes referências de JIVM
JIVM – Você mencionou dois escritores que são muito preciosos para mim, acrescentaria apenas outro que teve a mesma importância, o cearense Gerardo Mello Mourão. Na verdade tudo muda depois que leio o Grande Sertão: Veredas. Quase que simultaneamente li Os Peãs, de Gerardo Mello Mourão, que trazia personagens tão vigorosos quanto os do Grande Sertão. A diferença estava no trato, Gerardo pintava seus parentes com matizes bíblicos e homéricos e então o seu Alexandre Mourão era um Ulisses encourado e destemido que galopava pelas plagas dos sertões do Siarah Grande, enquanto Guimarães, inventava um Riobaldo cheio de conflitos e que despetalava a rosa de um amor terrível, ao qual não ousava dar evasão. Depois é que aparece o meu conterrâneo Jorge de Lima com A túnica inconsútil, para rezar comigo as ladainhas que estavam impregnadas em minha alma, e com Invenção de Orfeu, para desconstruir minhas certezas e derrubar minhas convicções. As interlocuções acontecem naturalmente, por eleição. Antes de ler os três escritores citados, eu já havia lido muitas outras coisas, mas foram esses que se amalgamaram ao meu ser. À época dessas leituras, eu tinha 20 anos, morava numa fazenda chamada Cerca de Pedra e à noite lia alumiado pela luz de um candeeiro. Vivia, no meu dia a dia, com o homem do campo, com o qual ainda tenho contato constante. E não é apenas a convivência com elementos do campo que determina a minha escritura, mas, sobretudo, a minha ligação com a natureza, com o Sertão. Daí um vocabulário assim campesino, daí a presença deste homem das auroras, vem daí o cantar do galo, a prosa com as estrelas e o namoro com a Lua.
PRISCILA FERNANDES – Em 50 poemas escolhidos pelo autor somos convocados a uma cavalgada por suas imagens poéticas quase que cinematograficamente. Ao ler sua poesia, é possível sentir-se hóspede desta casa dos seus quarenta anos, e experimentar a palavra como ato. Ao fazer-lhe esta visita, é impossível não notar a construção de um roteiro lírico, autobiográfico, ainda que despropositadamente, permeado por encontros tão íntimos com seu próprio Ser tão. Assim, o que surge ao final do livro é um sentimento de algo que se conclui e se inicia. O que pode nos dizer a respeito deste momento em que anuncia a calmaria? É mesmo um novo tempo? Uma nova fase/frase na sua poesia?
JIVM – Estou sempre em busca de Paz. Mesmo quando estou a brigar, é uma busca de sossego o que me move. E como é tão paradoxal numa pessoa como eu essa anunciação de Paz! Mas é a busca. E este momento da casa dos 40 anos e dos 50 poemas é a continuação do que venho fazendo desde que comecei a escrever e, claro, é uma nova fase, ainda que marcada por um retorno à obra, ainda que uma visita aos caminhos que percorri e que me percorrem a todo tempo, pelas veias do meu corpo, pelos veios de minha alma. O meu próximo livro, Pedra Só, que já está bem delineado, é uma nova fase dentro da minha frase poética, embora com o mesmo traço que me afirma.
RICARDO THADEU – Outra característica marcante nos 50 poemas é uma voz, um Eu, que emana das palavras, como se o poeta e a poesia fossem um só, ou o ser do eu poético estivesse dissolvido no ser da linguagem. Assim sendo, qual é a leitura que você faz da sua própria obra: uma consequência natural desta fusão ou uma expressão deste abismo simbólico entre você e a outra voz?
JIVM: "A poesia é arte, portanto usa de artifícios para representar a mágica do ser, para revelar a beleza do ser, para exibir a perplexidade do ser".
JIVM – Tudo o que eu disser aqui ou vai me comprometer ou não vai esclarecer praticamente nada. Porque eu sou eu e pronto. Mas eu não sou apenas eu, uma multidão de vozes compõe o que reconheço como EU. A poesia é arte, portanto usa de artifícios para representar a mágica do ser, para revelar a beleza do ser, para exibir a perplexidade do ser. E eu tento me banhar e me dissolver e me fundir nas águas da poesia, que é onde meu ser encontra o abrigo mais seguro e mais sincero. Mas tudo isso é uma invenção do meu sentimento. Sinto-me inventando o meu sentimento. Sinto-me inventado por meu sentimento. Na minha poesia busco percorrer, de ponto a ponto, de canto a canto, todas as plagas do abismo que me habita, sentindo o seu silêncio. A sua realização é a expressão que anuncia todas as vozes – que sinto que sinto.
VÂNIA MELO – Amores, silêncios, sertões, vermelho escarlate, vermelho fogo: o que mais habitará a casa dos seus quarenta anos, Inácio? Vi muitos de seus poemas nascendo maturis e desabrochando em musas. Maduro, você reúne, numa roda de cantorias e orações, cinquenta poemas e conversa com suas melhores experiências. Durante essa escolha e refletindo sobre você em seu fazer poético, o que melhor o traduz?
JIVM – Tudo o que a palavra possa suscitar e articular pode habitar na morada do ser. Apesar de já ter estabelecido algumas escolhas estéticas, não sou senhor de convicções. A minha escritura, portanto, está aberta para o que vier, contanto que esteja sintonizado com o meu sentimento e com o meu delírio. Estou sempre buscando a expressão que traduza a minha emoção. Tantas coisas na vida e tantas coisas do mundo me comovem, quanta poesia transborda da dor e da beleza da existência! E é este olhar poético sobre as coisas do mundo e sobre a existência que melhor me traduz. A casa dos quarenta anos que ora me habita e que ora habito é o espaço das clarezas, é o “cemitério de ilusões”. Esta antologia da casa dos quarenta anos, composta de cinquenta poemas, direciona-me também para a casa dos cinquenta, com seu tapete que de vermelho cada vez mais vai ficando rubro até traduzir-se em completa escuridão – e esta é uma clareza e uma certeza.
VITOR NASCIMENTO SÁ – Sua poesia e sua apreensão diante do cenário poético que o circunda podem ser traduzidos com um dos seus versos: “Não sei ser quase”. Quem te acompanha percebe essa ânsia pela descoberta do verso dos versos, do verso completo, essa necessidade de “todas as frases, dizê-las por inteiro”. E não há descanso na sua produção. Mas, quando chega à maturidade (porque o quinto livro obviamente tira o autor da lista dos iniciantes), em lugar de respostas, há o encontro atordoante com uma casa repleta de fantasmas, uma casa que é mais problema que solução. Parece-me que os quarenta anos lhe serviram de estaca zero e a busca pela inteireza recomeça. Essa busca é incessante? Como o Rilke, eu lhe perguntaria: você se sente forçado a escrever? Como descreve essa inquietude que leva à poesia?
JIVM: "O único lugar em que meu ser encontra abrigo e a minha inquietude assenta suas águas barrentas é no açude da poesia."
JIVM – Vitor, essa pergunta traz no âmago uma explicação para o que significa o Roseiral dentro da minha produção. É um livro muito diferente dos outros, embora seja a continuação do único livro que escreverei ao longo da minha existência. Mas indiscutivelmente o Roseiral é um momento diverso que chegou simultaneamente aos meus 40 anos. E a entrada para a casa dos quarenta foi, realmente, marcada por uma mudança radical na minha escritura. Agora, com um novo trabalho intitulado Pedra Só, vejo-me retornando para a noite abismal do ser – tão comovido e emocionado com todas as possibilidades da existência. E a busca, Vitor, é incessante. A busca pelo verbo que me inaugure, pois “no princípio, era o verbo”; a busca pelo verso que me mantenha dentro da paisagem poética. Sinto-me constantemente impulsionado a escrever. Se pudesse controlar essa força que me leva para os labirintos da escrita, certamente procuraria fazer outra coisa, mas como diria o extraordinário Visconde de Valmont, personagem de As ligações perigosas: “foge ao meu controle”. Rapaz, escrevo por necessidade. O único lugar em que meu ser encontra abrigo e a minha inquietude assenta suas águas barrentas é no açude da poesia.
WENDER MONTENEGRO – Para Francisco Carvalho “o poema é talvez o caminho mais longo para a descoberta do homem. De seus píncaros ou de seus pântanos. De seus clarões ou de suas trevas.” Waly Salomão considera a poesia “a menos culpada de todas as ocupações.” Herberto Helder, outro poeta de suas referências, afirma que chegou mesmo a banir de suas preocupações a ideia de comunicação. E Baudelaire compara o poeta a um albatroz, incapaz de andar entre os homens, dado o tamanho de suas asas, metáfora para a extensão de seu voo! E para você, José Inácio Vieira de Melo, a poesia possui uma aura mística, capaz de transformar os que dela usufruem em seres especiais, à parte? O que é, afinal, o poeta e em que consiste fundamentalmente sua atividade?
JIVM – Cada poeta apresenta a sua definição de poesia, cada uma mais bonita que a outra, mas ninguém consegue dizer, na sua essência, o que seja a poesia. Os mais práticos, os homens ocupados, dizem logo que a poesia é uma fuga. E não será? Ou a poesia é o encontro abismal do ser? O próprio Francisco Carvalho diz num poema que “A poesia é uma cadela de olhos de cio/ que lambe as feridas da alma/ mas não afugenta os demônios do corpo” e diz mais neste seu “Discurso para iniciados”: “A poesia não se compraz com as tuas aflições/ não muda o rosto nem gosto das coisas”. E como isso é lindo e verdadeiro. Mas essa verdade é a do Francisco Carvalho, pelo menos enquanto ecoa o poema pela eternidade de um instante. Cada um define a poesia como sente e pode e cada qual entende como pode e sente. A poesia, para mim, é minha religião. Sou apenas um apóstolo da palavra poética. Minha missão é sair pelo mundo espalhando a graça maior da Poesia. E a poesia é sim a mágica que transforma a palavra em pão e a asa na casa do voo. É preciso ter muita força para abraçar a poesia. As pessoas que fruem a poesia são tão especiais quanto qualquer outra pessoa, nada a mais. O que as diferencia é o fato de se permitirem sentir o sabor da arte através da música das palavras, é que se deixam levar pelos delírios estéticos de outrem e penetram na paisagem criada por aquele seu igual que brinca seriamente de inventor de mundos – na maioria das vezes, para suportar a azáfama em que o mundo está metido. O poeta é o que não é. O poeta diz o que é de uma forma que não é. Seu ofício é sofrer a história e inventar estórias com as canetas da sua frustração e do seu delírio. Está certo Herberto Helder em não esperar comunicação da poesia. A poesia é uma expressão que ganha abrigo na zona de delírio que não está preocupada em compreender, mas apenas de sentir por sentir, sem explicação. Quem olha para a Lua e sente faltar chão aos pés, sentiu a poesia. Mas quem repara na lua e começa a explicá-la e racionalizá-la, será capaz de dividi-la em lotes para construção de conjuntos habitacionais. Para fim de conversa, na verdade, não sei o que é ser poeta. Apenas sou poeta.
Fotos de JIVM: Ricardo Prado
Esta entrevista foi publicada na revista virtual Verbo21 (http://www.verbo21.com.br) em agosto de 2011